O compartilhamento de postes entre distribuidoras de energia elétrica e prestadoras de serviços de telecomunicações é um dos pilares fundamentais para a expansão de redes de fibra óptica no Brasil. No entanto, com a intensificação das fiscalizações das concessionárias regionais e a implementação do plano de ordenamento de cabos, entender as diretrizes de compartilhamento de postes estabelecidas pela Anatel e pela Aneel tornou-se essencial para evitar notificações de irregularidade técnica, multas elevadas e a remoção sumária de fiação em campo.
Entender as diretrizes da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é o primeiro passo para garantir a segurança jurídica e operacional do seu provedor.
O Marco Regulatório do Compartilhamento de Postes
A utilização dos postes das distribuidoras de energia por empresas de telecomunicações é regida principalmente pela Resolução Conjunta nº 4/2014 (Anatel/Aneel) e pelas recentes diretrizes da política nacional de ocupação de infraestrutura (Poste Limpo).
Essas normas estabelecem as condições técnicas e comerciais para o acesso às faixas de ocupação nos postes, visando coibir a ocupação desordenada e garantir a segurança das redes elétricas e de telecomunicações.
Regras Principais de Ocupação:
- Ponto de Fixação Exclusivo: Para garantir a segurança jurídica no compartilhamento de postes, a faixa reservada para telecomunicações (geralmente localizada abaixo dos cabos de baixa tensão).
- Limite de Cabos: É proibida a reserva de capacidade sem o devido projeto técnico aprovado pela concessionária local.
- Identificação Obrigatória: Todos os cabos, caixas de atendimento (CTOs), reservas técnicas e elementos de rede suspensos devem conter etiquetas legíveis identificando a empresa responsável.
Principais Motivos de Notificação e Notificação de Irregularidade
As concessionárias de energia realizam vistorias periódicas em campo. Entre os problemas mais comuns que geram Notificação de Irregularidade Técnica (NIT) e prazos curtos para adequação, destacam-se:

- Clandestinidade (Ocupação Revelia): Instalação de cabos ou caixas sem projeto prévio submetido e aprovado pela distribuidora.
- Desrespeito à Distância de Segurança: Cabos instalados fora da faixa estipulada para telecomunicações, invadindo a zona de segurança dos condutores elétricos.
- Excesso de Reservas Técnicas (Barrigas de Carga): Sobras de cabo agrupadas em formato inadequado (“rolos de macarrão”) que ultrapassam o peso e o volume permitidos nos pontos de fixação.
- Falta de Identificação e Selagem: Cabos sem etiqueta de identificação da empresa ou sem os selos/plaquetas padrão exigidos pela concessionária regional (ex.: CPFL, Enel, Neoenergia, Cemig, Copel).
📌 Leia também no blog:
Quer se aprofundar nos detalhes técnicos e operacionais sobre fiscalização e regras das concessionárias? Confira nosso material completo:
Acessar o Guia Definitivo de Compartilhamento de Postes →Como Evitar o Corte de Cabos e Adequar Sua Rede
Para manter sua infraestrutura segura e totalmente alinhada às exigências legais, siga estas etapas recomendadas:
- Faça um Inventário de Campo: Mapeie todas as rotas e identifique quais postes possuem projeto aprovado e quais estão em situação de ocupação não regularizada.
- Padronize as Ancoragens e Identificações: Garanta que todas as equipes técnicas de campo utilizem plaquetas de identificação visíveis com o nome da empresa e dados de contato.
- Elabore e Submeta Projetos de Regularização: Desenvolva o projeto executivo de engenharia e dê entrada na concessionária local antes que a fiscalização emita ordens de remoção sumária.

Manter a documentação técnica atualizada e a rede limpa previne paralisações no serviço aos clientes, evita multas elevadas e valoriza o ativo do seu provedor.
Perguntas Frequentes sobre Compartilhamento de Postes (FAQ)
1. Qual é o valor cobrado por ponto de fixação no compartilhamento de postes?
O valor de referência estabelecido pela Resolução Conjunta Anatel/Aneel para o compartilhamento de postes é de cerca de R$ 3,19 por ponto de fixação. No entanto, o preço final pode variar dependendo da concessionária regional de energia, da área de cobertura (urbana ou rural) e das regras específicas do contrato de cessão de uso.
2. A concessionária de energia pode cortar cabos sem aviso prévio?
Em situações de risco iminente à segurança pública ou à rede elétrica, a concessionária tem o direito de remover fiações irregulares. Para casos de ocupação sem projeto ou falta de identificação que não gerem risco imediato, a distribuidora costuma emitir uma Notificação de Irregularidade Técnica (NIT) concedendo um prazo (geralmente de 30 a 90 dias) para a adequação da infraestrutura antes de efetuar o corte.
3. O que é necessário para aprovar um projeto de compartilhamento de postes?
Para aprovar um projeto técnico de compartilhamento de postes, o provedor precisa apresentar o cadastro da empresa na Anatel (Outorga ou Dispensa de SCM), o projeto executivo assinado por um engenheiro responsável com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), o diagrama da rota FTTH e a planilha detalhada da quantidade de postes ocupados com a devida reserva de capacidade.
4. Quantos cabos de telecomunicações podem ser instalados em cada poste?
As normas técnicas padronizadas restringem a faixa de ocupação para telecomunicações a um número limitado de pontos de fixação (normalmente de 5 a 6 pontos por poste). Caso a capacidade da faixa esteja esgotada, novas instalações dependem de reordenamento ou substituição da estrutura por parte da distribuidora.
🚀 Evite Notificações e Regularize o Compartilhamento de Postes da Sua Rede
A NJ Projetos e Serviços em Telecom desenvolve projetos executivos de engenharia, defesa contra notificações e regularização de rotas aéreas junto às distribuidoras de energia em todo o país.
Especialista em infraestrutura de telecomunicações, redes de fibra óptica e projetos de compartilhamento de postes. Atua na consultoria de engenharia e otimização de redes para Provedores de Internet (ISPs) regionais, produzindo conteúdos técnicos no portal Fibra & Telecom em parceria com a NJ Projetos.
